A preferência pelo jornalismo internacional

Este texto, de Marina Ayub*, faz parte do espaço Um foca na sexta.

SÃO PAULO, SP – Minha grande dúvida durante o Ensino Médio, diferente da maioria dos jovens, não foi sobre qual carreira seguir. Havia muito, eu já sentia que o jornalismo estaria em meu futuro. A questão mais difícil foi, então, decidir em qual área exatamente eu deveria atuar. Sinceramente, não sei se tenho a resposta. Dizem que tudo muda durante a faculdade. Isso ainda vou verificar. Mas de uma coisa estou convicta: seja o que for, seja onde for, meu jornalismo estará relacionado à política internacional ou ao Oriente Médio.

Imprensa no Oriente Médio

Explico. Quando leio jornal (gosto tanto do digital como do impresso), o primeiro caderno a que vou é o de notícias internacionais. Ainda que os fatos sejam pessimistas sobre o Oriente Médio e ainda que as reportagens não tragam o que gostaríamos de ler sobre os líderes mundiais e suas decisões, o assunto me interessa e, por isso, adoro me informar. Às vezes, até dou uns pitacos sobre determinado assunto. E, sim, também gosto de reparar no estilo e no cuidado que o jornalista teve com a informação.

Tudo isso para contar das minhas preferências no jornalismo. Com esse relato, quero falar sobre meu começo na faculdade e das minhas percepções iniciais sobre essa admirável e, por vezes, difícil profissão. Em primeiro lugar, não posso deixar de mencionar que me envolvi de tal modo com o curso, que uma grande parte das minhas decisões, e até das amizades e relações em geral foi moldada, em um sentido bem positivo, pelo jornalismo.

Em segundo, acredito ser importante comentar (principalmente porque algum leitor pode estar em dúvida sobre a escolha do jornalismo como carreira) que a grade curricular do curso na ESPM-SP me encantou. Dentre as minhas disciplinas preferidas estão Teoria da Comunicação, Linguagem Jornalística e Comunicação Comparada. Mas essas são apenas três das dez que estudei no primeiro semestre e que adorei.

ESPMUN

Jornalismo e armas nucleares. O que vem em terceiro lugar, entretanto, talvez seja o mais determinante para meu futuro dentro da profissão. Tive a oportunidade de participar, com três amigas, também focas, de uma simulação das Nações Unidas – o ESPMUN – realizado em maio por uma entidade da faculdade, a Câmara Jr. Representamos jornais como New York Times e Washington Post, tentando reproduzir suas linhas editoriais.

Foram três dias de simulação participando dos comitês existentes (o de Direitos Humanos e o de Desarmamento e Segurança Internacional). Ao final de cada jornada, escrevíamos sobre o que as delegações dos países participantes haviam debatido sobre temas tão diversos como urgentes, como tráfico de pessoas e proliferação de armas nucleares. Era a vivência, em um meio acadêmico, de questões sobre a atualidade, daquelas que eu leio quando vou aos jornais.

O mais interessante foi que, após o ESPMUN, nós acabamos ingressando na entidade como Press Corp, grupo de jornalistas que trabalham em um mesmo assunto. Ficamos responsáveis pela elaboração e divulgação dos materiais jornalísticos da Câmara Jr. que, a propósito, tem um time de diretores, todos estudantes de Relações Internacionais na instituição, comprometidos com a capacitação dos alunos em diplomacia. E, desde então, tem sido prazeroso e construtivo poder exercitar o jornalismo em uma entidade voltada para assuntos internacionais.

Talvez seja ainda muito cedo para ter qualquer opinião definitiva sobre minha carreira no jornalismo. Estou longe de pisar no mercado profissional e acabei apenas a primeira etapa do curso. Mas reparei, nesse primeiro semestre (e talvez isso seja o mais importante, independente da profissão que escolhemos ou da faculdade que cursamos) que a motivação existe se há envolvimento verdadeiro com aquilo de que gostamos.

*Marina Ayub é estudante do segundo semestre de jornalismo na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP). É apaixonada por história, política e Oriente Médio e pensa em ser correspondente internacional. Participa da entidade Câmara Jr., na ESPM, e colabora na pesquisa do projeto “Judeus Árabes: o livro”. Além de português e inglês, fala francês e pretende estudar outros idiomas, como árabe. 

Coordenação e edição: Gabriel Toueg

Recado da Marina: “Este espaço é voltado para estudantes de jornalismo ou jornalistas recém-formados terem a oportunidade de escrever sobre a carreira e seus desdobramentos. Opiniões, experiências e perspectivas podem ser compartilhadas aqui. Ter um espaço para publicar textos sobre nossas percepções do jornalismo pode ser bem construtivo”. Entenda e participe do projeto Um foca na sexta. Conheça os focas que já participaram.

Fotos: Menahem Kahana/AFP e Reprodução

Anúncios

Algo a dizer?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s