Interesse popular pelo futebol comanda coberturas esportivas no Brasil

Este texto, de Mariana Consolmagno*, faz parte do espaço Um foca na sexta. Entenda.

SÃO PAULO, SP – Assim como para a maioria dos brasileiros, futebol era minha paixão. Acredito que esse é, entre tantos, o esporte que mais atrai no país. Daí ser abordado de forma tão ampla em páginas de jornais e revistas e em programas de TV e rádio, principalmente às vésperas da Copa do Mundo que será realizada no país de chuteiras. Além disso, por ser um assunto descontraído, há a possibilidade de misturar jornalismo com entretenimento. É o que vemos no trabalho de programas televisivos como Globo Esporte e Jogo Aberto.

A grande imprensa tende a ser mais crítica na cobertura do futebol. Nos editoriais de esporte de grandes portais online, como o Estadão e a Folha de S.Paulo, parece não haver preferência declarada por um ou outro time. Existem, ao contrário, seções para os diversos campeonatos que acontecem a cada momento, tabelas detalhadas das divisões e até mesmo matérias que discutem temas políticos e econômicos do futebol.

O jornalista Antonio Rocha, que já trabalhou como repórter de Esportes da Folha e secretário de redação do jornal Agora São Paulo, pensa que, por outro lado, os diários populares, como o próprio Agora, fazem uma cobertura mais ufanista e menos crítica com relação a atletas, dirigentes e federações. “A cobertura da Copa do Mundo terá um caráter muito mais de torcida para o Brasil do que para eventuais problemas ou irregularidades no time”, opina Rocha. É o que ele acha sobre finais de campeonatos nacionais que envolvam um grande time: a cobertura de um veículo popular tende a ser mais favorável ao grande clube.

Marcelo Laguna

Monocultura. O futebol tem mais espaço na mídia brasileira por uma questão cultural. É uma relação antiga, um esporte que se tornou, acima de tudo, popular. É aí que entra o jornalismo segmentado. Mas Marcelo Laguna, jornalista e editor assistente do núcleo de setoristas de futebol do portal iG, pensa que isso tem mudado nos últimos 20 anos. “Hoje, há mais veículos com espaço para a divulgação de outras modalidades e mesmo emissoras de TV por assinatura que detêm os direitos de transmissão de Mundiais e outros torneios relevantes de esportes olímpicos”, opina. Laguna é autor de um blog, o Espírito Olímpico, no iG.

Rocha e Laguna concordam que a tanto a Copa de 2014 como os Jogos Olímpicos de 2016 terão investimentos parecidos em esforços de cobertura. Mas, para eles, a repercussão da Copa do Mundo entre a população será maior. “Não devido à Copa em si, mas pela existência ainda de uma monocultura esportiva no nosso país”, conclui Laguna, em referência ao futebol.

Entre focas. Percebo, entre os colegas focas, um imenso interesse pelo jornalismo esportivo. Tenho notado que o futebol é, ainda, um dos temas mais disputados na busca por trabalho, dentro e fora de sala de aula. Acho que, por outro lado, se há espaço para discutir o futebol, também há para outros esportes, e é algo que tem acontecido, ainda que de forma lenta.

Um projeto que admiro é o programa da web-rádio ESPM-SP Jogada da Semana. Lá, ocorre exatamente isso. Os estudantes de jornalismo discutem jogos da semana, rodadas e placares do futebol – mas também abrem espaço para outras modalidades, como o vôlei e esportes olímpicos. Na minha opinião, é contraditório o Brasil ser monocultural no esporte. É um país com tantas culturas, vários sotaques e costumes… Mas o mercado está mudando e acredito que é possível incorporar outros esportes a essa cultura.

*Mariana Consolmagno é estudante de jornalismo, apaixonada, no 6º semestre da ESPM-SP. Seus maiores interesses são cinema e esportes. Tem um programa na web-rádio ESPM chamado Etc e Tal, que aborda temas como cinema, televisão, música, moda e comportamento. Foi aluna-líder do Blog da Indy, projeto vencedor do Intercom Sudeste 2013, e vai representar a ESPM-SP no Intercom nacional, em Manaus. Deseja trabalhar em revistas de comportamento ou cultura, mas não pretende desistir do rádio.

Coordenação e edição: Gabriel Toueg

Recado da Mariana: “Essa é uma ótima oportunidade para treinar o texto opinativo/reflexivo. Um espaço para jovens jornalistas, como eu, publicarem seus trabalhos e entrarem em contato com a profissão e com jornalistas profissionais de forma mais séria e profunda”. Entenda e participe do projeto Um foca na sexta. Conheça os focas que já participaram.

Para ilustrar o tema, uma frase de nossa presidente, Dilma Rousseff:

“Aprendi a gostar de futebol indo, ainda criança, ao
estádio do Mineirão assistir aos jogos do Atlético”

Mas… Dilma nasceu em 1947 e o Mineirão foi inaugurado em 1965 – quando ela tinha, portanto, 18 anos! Via Cedê Silva, grande amigo, ótimo conhecedor de Belo Horizonte, excelente jornalista e, quem diria, bom de conta!

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