Mais sustância, por favor

Este texto, de Thales Willian*, faz parte do espaço Um foca na sexta.

ROSEIRA, SP – Só arroz e feijão. O sentimento de saciedade passava longe de mim. O horário de funcionamento me desagradava: de segunda-feira a sexta-feira, apenas no período noturno. Eu estava proibido de sentir fome de manhã, de tarde e aos finais de semana. Faltava sustância. Nada mudava, pois sobravam colegas satisfeitos com o serviço. Porém, confiante, mantive-me entre a clientela, mas fui gastar a sola do sapato em outras bandas para incrementar com opções mais suculentas o cardápio do curso de jornalismo.

Sem grana, busquei alternativas gratuitas e me atentei, principalmente, às recomendações. Cheguei à seleção do módulo Descobrir São Paulo, Descobrir-se Repórter, do Projeto Repórter do Futuro, da Oboré. As minhas respostas no questionário pessoal e nas questões sobre temas ligados à vida do paulistano esclareceram que eu não estava preparado para aproveitar o curso ao máximo. Fiquei de fora, mas o engajamento e o amor pelo jornalismo entre os responsáveis pelo projeto me fizeram insistir.

Voltei alguns meses depois ao Repórter do Futuro e participei da seletiva de outro módulo. Fui chamado para o curso Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter. Mergulhei literalmente na maior floresta tropical do mundo. Após discutirmos o tema em conferências na Universidade de São Paulo, eu e parte dos estudantes embarcarmos em uma viagem de estudos e reportagens com destino ao território amazônico.

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Olhar despertado. Para quem queria além do arroz e feijão, o prato ganhou ingrediente indispensável: o contato com realidades alheias. Meu olhar adormecido pela rotina estágio-universidade-casa foi rapidamente despertado. O silêncio tomou conta de mim para dar espaço à observação. Compreendi que essa atitude seria fundamental em minha vida jornalística para intermediar com precisão cada detalhe.

Embora fosse um destino incomum, o estudo prévio, estimulado inicialmente nas conferências em São Paulo, deu segurança às perguntas que fiz in loco ao Exército. Reportei sobre a situação da saúde do município de Tabatinga, no extremo oeste do Amazonas, e também escrevi a respeito da atuação de militares na região. Além das duas reportagens, concluí a viagem com a bagagem vazia de preconceito e cheia de vontade de levar histórias desconhecidas aos quatro cantos do mundo.

Depois que experimentei o sabor da saciedade, ficou difícil digerir só arroz e feijão. Comecei a participar de eventos voltados a estudantes de jornalismo, onde ampliei o networking e iniciei a construção de meu caminho dentro da profissão. Colhi um resultado que me fez acreditar ainda mais que estava no caminho certo. Venci o 7º Prêmio Santander Jovem Jornalista, uma parceria entre o Estadão e o banco espanhol, e ganhei uma bolsa de estudos na Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, em Pamplona, na Espanha. Embarquei ontem, dia 15 de agosto, e farei um programa individualizado de jornalismo nos próximos meses deste ano.

Presença e ineditismo. Para concorrer ao prêmio, participei da Semana Estado de Jornalismo, com mais de 20 palestras com profissionais de destaque. Ao fim da programação, que todos os anos ocorre normalmente entre os meses de setembro e outubro, o estudante com 100% de presença recebe uma pauta e tem 72 horas para produzir uma reportagem inédita. Para ter referência na produção, li matérias dos últimos ganhadores e decidi ir atrás de uma história que fugisse do trivial.

A partir da pauta Informação como Forma de Mudança Social, dada pela coordenação do programa, escrevi sobre um projeto que leva exemplo de motivação a jovens carentes do Brasil. O curto tempo para a produção atrapalhou. Passei sábado e domingo mergulhado na reportagem. Fiquei entre os seis finalistas e, após passar por uma entrevista pessoal, levei o prêmio. Quando voltar para cá, escreverei da Espanha!

*Thales Willian colocou a vida na bagagem, deixou sua cidadezinha no interior paulista e embarcou numa viagem sem volta ao mundo do jornalismo na Grande São Paulo. Esteve no mercado de trabalho desde o início da graduação. Teve experiência em agência de comunicação, jornal impresso diário, assessoria de imprensa e produção de TV. Participou do curso complementar universitário de jornalismo “Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter”, do Projeto Repórter do Futuro, e foi à Amazônia numa viagem de estudos e reportagens. Vencedor do 7º Prêmio Santander Jovem Jornalista, fará um curso na Universidade de Navarra, na Espanha. Ele se formou em jornalismo na Universidade Braz Cubas (UBC), no primeiro semestre de 2013.

Coordenação e edição: Gabriel Toueg

Recado do Thales: “O blog abre espaço para um mergulho inteligente ao universo do foca. Para o iniciante, o apoio de estudantes e de graduados na reflexão e no treinamento só traz ainda mais qualidade ao jornalismo. Todos ganham!” Entenda e participe do projeto Um foca na sexta. Conheça os focas que já participaram.

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