Das razões para ser um ‘foca’ graduado

Este texto, de Andreza Galiego*, faz parte do projeto Um foca na sexta.

ANDRADINA, MS – Depois da decisão do STF de derrubar a exigência do diploma de jornalismo, em 2009, muito tem sido dito sobre a necessidade da graduação para a atuação nesse campo profissional. A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Beth Costa, escreveu no site da entidade que “a sociedade precisa, tem direito à informação de qualidade, ética, democrática”. Para ela, “uma das formas de preparar jornalistas capazes de desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em jornalismo”.

Em um texto publicado no Estadão em maio deste ano, entretanto, o jornalista Eugênio Bucci lembra que “não há a obrigatoriedade do diploma em nenhuma outra democracia”. Em sua opinião, abertamente contrária à obrigatoriedade, a “aprovação da PEC do diploma [que buscou retomar a exigência] é prejudicial para a qualidade da imprensa e para a normalidade institucional”.

diploma de jornalismo

Está claro que o diploma, sozinho, não basta para criar um jornalista, especialmente no formato atual da maioria das faculdades de Jornalismo brasileiras. Mas, acredito, a formação acadêmica pode ser crucial no processo de construção do profissional. Além disso, muitas empresas de comunicação ainda mantêm a preferência pelos graduados.

Dentre as tantas teorias estudadas na universidade, certamente os trabalhos de conclusão de curso, que coroam os quatro anos de formação, podem resumir o quanto o conhecimento teórico acrescenta para o desenvolvimento do ofício jornalístico. Não é tarefa fácil determinar um tema e explorá-lo ao máximo para elaborar um único trabalho, por isso essa etapa pode influenciar positivamente na prática do jornalismo.

O aluno, ao definir um assunto para ser estudado, se depara com uma variedade de temas. Sozinha, a escolha já demonstra maturidade e evidencia preferências. Assim, a decisão poderá auxiliar o futuro jornalista a descobrir uma área em que deseja atuar. E um profissional satisfeito com a função que desempenha tem mais chances de fazer um trabalho melhor.

Quando o acadêmico passa a traçar objetivos que pretende atingir e a lidar com cumprimento de prazos, torna-se mais responsável pelo que produz. E a noção de responsabilidade pelo conteúdo elaborado é fundamental no jornalismo, pois irá incentivar a verificação exaustiva das informações obtidas para a construção e divulgação de uma notícia.

Ao explorar livros e referências e iniciar a produção do TCC, o estudante testará habilidades como organização de ideias, síntese, revisão, criticidade, leitura, escrita e uso de ferramentas tecnológicas. São características importantes, que irão contribuir, no futuro, para uma notícia bem redigida e de fácil entendimento para o leitor.

Teorias e convívio. Além disso, o estudo trará a proximidade com teóricos do jornalismo, em sua maioria jornalistas consagrados e que conheceram a prática, da qual avaliaram prós e contras. Nada melhor do que inteirar-se da história de uma profissão para desempenhá-la de modo mais satisfatório, conhecendo os erros passados para evitá-los no presente. Ademais, a convivência e a troca de ideias entre o estudante e seu orientador, se aproxima da realidade da redação, no convívio com o editor. Nem sempre haverá afinidades, nem sempre um entenderá as razões e motivações do outro, mas avaliações pessoais terão de ser deixadas de lado para o bem do trabalho desenvolvido.

E ainda há as temidas bancas. O formato e a quantidade de apresentações do TCC mudam de uma a outra faculdade, mas o fato é que são indispensáveis. Nesse caso, o estudante, além de aprender a lidar com as críticas e reavaliar interesses, também vai saber como se apresentar formalmente e falar de modo contundente – aptidões favoráveis para entrevistas com as fontes de informação.

Em resumo, é importante compreender que um diploma não faz um jornalista e que trata-se apenas de uma das etapas para a formação de um bom profissional. É necessário, para isso, que o estudante tenha frequentado corretamente a universidade e absorvido o conhecimento proposto. Desde que se pratique o que foi aprendido. Desde que se respeitem os envolvidos na informação transmitida. Desde que se respeite o público consumidor de informação.

*Andreza Galiego é acadêmica do 8º semestre de jornalismo nas Faculdades Integradas de Três Lagoas (AEMS – Associação de Ensino do Mato Grosso do Sul). Seu primeiro estágio na área foi em assessoria política, onde adquiriu muito conhecimento a respeito da prática do jornalismo no interior. Humildemente, pretende usar a profissão para melhorar a realidade de outras pessoas. Suas maiores paixões são ler e escrever, mas também se arrisca em fotografia. Estuda todo tipo de assunto que consegue no período em que está acordada, mas às vezes faz tudo dormindo mesmo. Tem mania de discordar e gosta de pessoas estranhas. Deixou de acreditar em partidos políticos e o primeiro país que quer conhecer é Cuba.

Coordenação e edição: Gabriel Toueg

Recado da Andreza: “Ter uma boa escrita influenciará em todas as áreas do jornalismo e nada melhor do que escrever com um incentivo como o projeto Um foca na sexta. Além disso, debater sobre a profissão é um modo de praticá-la melhor. Então, mãos à obra! “

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